Estreia: O PASSAGEIRO (The commuter)

o passageiro mulher

Não espere nada de O Passageiro além do que pode oferecer um filme dito de ação, daqueles muito manjados. Ainda que ele tente te enganar com falsas promessas. Começa apresentando a rotina do vendedor de seguros Michael MacCauley (Liam Neeson), numa edição tipo “compacto dos melhores momentos”, que até funciona bem. O espectador faz um tour pelas dificuldades normais de um casal, as preocupações com a educação dos filhos, as contas para pagar. Passa pelos fantasmas que assombram com frequência personagens dos filmes norte-americanos, como o desemprego, hipotecas, seguros de vida, perda de benefícios corporativos. O medo do fracasso, de ser um loser, enfim.

O roteiro ensaia umas críticas ao sistema, toca em questões sociais, econômicas, como o preço das faculdades e até da pré-escola, a crise de 2008, que levou muitas pessoas a perder suas casas. Namora temas como corrupção, polícia corrompida, o papel da TV. Mas acaba descambando para um nada criativo filme de ação, onde o herói está mais para super-herói, capaz de proezas inverossímeis.

A quebra da rotina pode vir quando menos se espera e os dias todos iguais de MacCauley seguem até o protagonista ser atingido por um “tsunami”, que começa na empresa e se avoluma na sua costumeira e monótona viagem de trem. Ele é surpreendido com uma proposta inusitada, tentadora e enigmática: identificar um/a passageiro/a no trem, recuperar o que ele/ela carrega numa bolsa, e matá-lo/la. Sem conhecer as motivações de quem faz a proposta e suas implicações. É pegar ou largar. E receber um considerável punhado de dólares para isso.

O PASSAGEIRO dolares

A proposta é sugerida como um jogo onde a arma principal é a habilidade de julgar as pessoas. Negros, latinos, falsos bacanas. Pessoas estressadas, intolerantes, ou simplesmente gente “na sua”. Personagens que desfilam pelo trem suburbano em que MacCauley viaja diariamente. E ele conhece cada um. Um microcosmo da sociedade norte-americana.

De novo o longa acena com alguma reflexão, seja sobre preconceitos e estereótipos, seja sobre honestidade e até onde uma pessoa mantém sua firmeza de caráter (parêntesis para dica cultural: sobre tal tema, recomendo a peça A visita da velha senhora, em cartaz no Rio). Mas com tantos socos, edição frenética, planos fechados, não sobra espaço nem tempo para maiores exercícios mentais.

O PASSAGEIRO trem

Para piorar, apesar de algumas reviravoltas, o suspense perde força, o filme perde em interesse para quem quer algo além de chutes, tiros e sangue. É mais daquele Liam Neeson que já procurou, resgatou, vingou filhas ou esposas em outros filmes, embora mereça papéis mais consistentes.

Enfim, um trem que, apesar de desgovernado, acaba levando o espectador para uma viagem monótona.

O PASSAGEIRO (The commuter)
EUA, 2018, 105 min
Direção: Jaume Collet-Serra
Roteiro: Byron Willinger, Philip de Blasi, Ryan Engle,
Elenco: Liam Neeson, Vera Farmiga, Patrick Wilson, Jonathan Banks
Ação, suspense – Linguagem imprópria, violência
Trailer/fotos:  https://www.imagemfilmes.com.br/filmes/164793/o-passageiro
IMDb: http://www.imdb.com/title/tt1590193/
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