Estreia: RODA GIGANTE (Wonder Wheel )

 

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Ao entrar no cinema e acomodar-se em sua poltrona, o espectador mergulha, pelo olho da câmera, no universo da Roda das Maravilhas, a Wonder Wheel de Woody Allen. Uma ironia, bem ao gosto do diretor. Na verdade, o que vemos é um parque já meio decadente em Coney Island, ainda que a roda gigante não cesse de girar. E ela domina as cenas, ao fundo, sempre em movimento, como as horas, os dias, o tempo enfim.

RODA GIGANTE - GINNY

 

A vida de Ginny (Kate Winslet, arrebatadora) segue como a roda que gira, gira e não sai do lugar. Amargurada com sua existência sem brilho ao lado de Humpty (Jim Belushi), o operador do carrossel, e enlouquecida com as tendências piromaníacas do filho pré-adolescente, a moça procura uma salvação. E encontra, literalmente, no salva-vidas Mickey (Justin Timberlake) que, quando não está resgatando afogados, gosta de ler sobre filosofia.

RODA GIGANTE - CASAL PRAIA

 

É pela voz de Mickey que acompanhamos a história de uma relação já potencialmente explosiva e que se complica ainda mais com a chegada da filha de Humpty, Carolina (Juno Temple). A beldade também cai de amores pelo amante da madrasta. E, como nada é tão ruim que não possa piorar, a jovem tem matadores em seus calcanhares, a serviço de seu marido, um gângster.

Parêntesis: A fala de Carolina quando afirma que “quem casa com um bandido não pode dizer que desconhece o que ele faz” nos tira por um instante dos anos 1950 e nos traz de volta para este quase finado 2017. Se você pensou numa família do alto escalão do governo fluminense que saiu do palácio para a cadeia, é isso mesmo.

Voltemos a Coney Island. Mickey, o salva-vidas, se vê então enredado na roda dessas duas mulheres, um possível salvador de vidas arruinadas. E quem está na roda, ora está em cima, ora embaixo, ora é festa e riso, ora é choro e dor.

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O velho Allen não abandonou o humor sem-dó-nem-piedade com que recheia seus filmes, mas está mais, digamos, compenetrado. Nesse longa, os conflitos amorosos, familiares e existenciais estão mais aguçados, mais profundos, mais amargos, a la Tennessee Williams. Mas não faltam as referências irreverentes aos psiquiatras, os “médicos de cabeça”, e a judeus e carcamanos.

Ginny tem algo de Cecilia, a sonhadora protagonista de A rosa púrpura do Cairo. Ambas são garçonetes e tocam uma vidinha completamente desprovida de glamour, buscando refúgio na arte. No caso de Ginny, nas lembranças de sua frustrada carreira de atriz. Aliás, Allen, por meio de seus personagens, homenageia o teatro, a literatura, o próprio cinema. Atente para o cartaz do filme numa das cenas: Winchester’ 73, um western clássico de 1950. Detalhes que tornam um filme ainda mais saboroso.

RODA GIGANTE - JIM BELUSHI

Com um elenco afinado (Belushi, em quem não reconheci o companheiro do cão policial K-9, está a altura de Winslet), uma bela fotografia (assinada pelo oscarizado italiano Vittorio Storaro), uma luz que carrega de dramaticidade os rostos, os charmosos figurinos de época, mais a música envolvente de sempre, este filme, caso Allen estivesse se aposentando, seria um belo e digno jeito de encerrar sua carreira.

 RODA GIGANTE (Wonder Wheel)

EUA, 2017, 1h41min

Roteiro e direção: Woody Allen

Elenco: Kate Winslet, Juno Temple, Jim Belushi, Justin Timberlake

Drama, violência, drogas lícitas

Trailer e fotos :

Imagem Filmes:  https://imagemfilmes.com.br/filmes/164706/roda-gigante

IMDb: http://www.imdb.com/title/tt5825380/

Mars Films: http://www.marsfilms.com/film/wonder-wheel/

 

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