Estreia da semana: Z – A CIDADE PERDIDA

z-a-cidade-perdida-aldeiaAs sequências iniciais do longa de James Gray são de muita ação, numa feroz caça ao veado, pelas belas paisagens da Irlanda. Apesar de ser um filme (também) de aventura, o desenrolar da história segue com certa morosidade, como o ritmo de um rio que corre sem sobressaltos. O que não significa marasmo ou que vá entediar o espectador. O próprio personagem é contido em seus gestos e reações, ainda que sua história seja ditada por uma paixão.

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Percival Fawcett (Charlie Hunnam) é um oficial que não goza de grande prestígio nas altas rodas do império britânico, apesar de suas habilidades. Um major sem medalhas, como se autodeclara. Sua esposa Nina Fawcett (Sienna Miller, ótima) é sua grande incentivadora, uma mulher determinada e de ideias avançadas. Convocado a ir à Amazônia para fazer um levantamento topográfico e arbitrar uma disputa por fronteira entre a Bolívia e o Brasil – aos ingleses não interessava uma guerra na América do Sul, pois elevaria o preço da borracha – Fawcett embarca numa viagem pelas profundezas da selva que mudaria sua vida. Seu assistente, Henry Costin, é vivido por Robert Pattinson, numa atuação digna, a centenas de milhas do vampiro que o projetou.

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Segundo o site IMDb, James Gray teria escrito a Francis Ford Coppola, diretor do antológico Apocalypse Now (1979), pedindo conselhos sobre como filmar na selva. A resposta de Coppola foi curta e direta: “Don’t go” (Não vá). Mas eles foram. Com locações na Colômbia, o filme é uma adaptação do livro de David Grann, e tem Brad Pitt entre os produtores (originalmente, o ator viveria o explorador). Ainda que vivam histórias bem distintas, os personagens de Coppola e Gray compartilham o assombro e a visceral transformação que a imersão num mundo desconhecido, arrebatador e assustador pode provocar.

Fawcett é fortemente impactado pelo que vê na selva, pelas condições de vida dos nativos, explorados pelos barões da borracha, pelas histórias que ouve, pelo que experimenta. A obsessão para encontrar a cidade que acredita existir na selva é também alimentada pela pressão da rígida sociedade inglesa. Realizar um grande feito – de interesse da coroa inglesa – serviria para resgatar o nome de sua família, manchado pela conduta de seu falecido pai.

O orgulho da coroa inglesa também é convocado a apoiar as expedições de Fawcett, após ser divulgada a descoberta do explorador norte-americano Hiram Bingham, que revelou ao mundo a cidade perdida dos Incas, Machu Picchu, nos Andes peruanos, em 1911.

Z-A-Cidade-Perdida claquete

Enfrentando dificuldades e perigos imensos e embalado por poemas de Kipling, o explorador retorna à selva outras vezes, entre 1905 e 1925 – combatendo na 1ª Guerra, entre uma expedição e outra -, mesmo quando é ridicularizado e perde o apoio da instituição que patrocinava suas viagens. Para seus contemporâneos, os nativos das selvas sul-americanas eram seres inferiores, incapazes de construir uma civilização que merecesse admiração e respeito.

Certo de que a selva guarda essa civilização perdida, a tal Cidade Z, cujos vestígios ele havia encontrado na primeira expedição, Fawcett aposta todas as fichas numa última viagem, acompanhado pelo filho Jack (Tom Holland, tão jovem que precisou usar um bigode postiço). A vida tranquila e confortável, junto à bela esposa e aos filhos menores, não consegue demovê-lo daquilo que se tornou sua obsessão e sentido de sua vida.

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Optando por uma fotografia, digamos, recatada, Gray deixa à selva amazônica o papel de ser exuberante. Do mesmo modo, a trilha sonora não briga com os sons da floresta, ao contrário, harmoniza-se com eles, criando uma atmosfera de encantamento, sedução, medo e mistério.

Uma daquelas histórias que nos intrigam e talvez até incomodem, por avivar dentro de nós a pergunta seminal: qual a razão do viver, afinal?

Trailer legendado:

https://www.youtube.com/watch?v=mRXEHMhYjw8

Z – A CIDADE PERDIDA (The lost city of Z)

EUA, 2016, 2h21m

Direção: James Gray

Roteiro: James Gray, sobre o livro de David Grann

Elenco: Charlie Hunnam, Tom Holland, Robert Pattinson, Sienna Miller

Indicação: 14 anos – Ação, Aventura, biografia

Estreia: 01/06/17

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