FESTIVAL É TUDO VERDADE 2017

É Tudo Verdade 2017

Em plena maioridade, na sua 22ª edição, foi encerrado no último domingo o Festival É Tudo Verdade 2017, criação de Amir Labaki. Ainda que documentários já não sejam tão raros nas salas de cinema, o festival que só fala verdades (de quem fala, de quem filma, de quem edita, de quem assiste) é um mundo de descobertas.

Num tempo de “pós-verdades” e “fatos alternativos”, ter acesso a fontes de informação fora da mídia tradicional, das grandes corporações, dos propagadores do “ouvi falar… postaram… eu compartilhei…” é uma oportunidade preciosa.  O Festival abarca uma gama de produções de temas, origens e abordagens diversas. Um recorte do mundo de ontem e hoje e que, de certa forma, aponta para o futuro, ao trazer informação e provocar questionamentos.

Este ano, o Festival trouxe a mostra 100: De Volta à URSS, um uma viagem pelos variados momentos da História russa/soviética, com diferentes estética e olhares. Na mostra, filmes assinados por ícones como Dziga Vertov (Avante, Soviete!, 1926) e Sokurov (Elegia Soviética, 1989). Desde o ufanismo do pós-revolução (Moscou, de Mikhail Kaufman e Ilya Kopalin, 1927) aos recentes conflitos na Ucrânia (Relações Próximas, de Vitaly Manski, 2016), a história da nação que sacudiu o mundo cem anos atrás, com a revolução bolchevique, é repassada em imagens fascinantes e depoimentos instigantes.

Do lado brazuca, uma joia é Quem é Primavera das Neves, um resgate extremamente delicado de uma personagem de nome e vida incomuns e cuja importância para a literatura de língua portuguesa é pouco ou nada conhecida.  Ana Luiza Azevedo e Jorge Furtado conduzem com a maestria a história de Primavera, tradutora de obras clássicas, numa narrativa belamente construída, mesclando depoimentos deliciosos de gente que conviveu com Vera, como as ex-colegas de colégio Eulalie Ligneul e a artista plástica Anna Bella Geiger.  Textos traduzidos por Primavera (que também assinava suas traduções como Vera Neves Pedroso) são utilizados para pontuar momentos da vida da própria personagem, numa interpretação impecável de Mariana Lima.

Para quem tem fascínio pelo fazer cinema e adora saber o que rola por trás das câmeras, um filme simplesmente sedutor é 78/52 (Alexandre O. Philippe, 2017) que faz um verdadeiro raio X de uma das cenas mais famosas, citadas, copiadas do cinema: a do chuveiro, em Psicose (A.Hitchcock, 1960). Além dos detalhes técnicos, das escolhas do diretor, temos depoimentos reveladores, como da dublê de Janet Leigh, uma adorável ex-pin-up. Técnicos, críticos, diretores e atores (como Guillermo del Toro e Gus van Sant) contextualizam a temática do filme e o papel que cabia às atrizes e à representação da mulher nas telas no final dos anos 1950.

Vida longa ao É Tudo Verdade!

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